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Artigo

O Alinhamento dos Negócios
Por: M. Teles Fernandes

Conforme temos vindo a abordar o tema desde o primeiro artigo desta série, os negócios carecem de estratégias que alinhem no seu todo um conjunto de factores determinantes para o sucesso dos mesmos.

No segundo artigo da série, mencionámos que o lucro deve ser a principal preocupação das empresas e que este se mede em valor absoluto. A capacidade que uma empresa tem para investir continuamente em competências e em tecnologia depende do volume dos meios libertos, ou seja, do lucro final libertado pela actividade.

Vimos então que o lucro é o resultado do volume do negócio, isto é, da quantidade de produto vendido, a multiplicar pela margem libertada por cada unidade de produto vendido, conforme fig. 1, da qual se retiram quatro arquétipos de negócio.

No terceiro artigo da série, abordamos os factores que influenciam o volume do negócio, isto é, o resultado da função resultante dos factores dimensão do mercado e número de concorrentes e da quota que a empresa detém nesse mesmo mercado, conforme fig. 2.

Da relação entre as duas matrizes poderemos imediatamente estabelecer alguns alinhamentos. Se se pretende vir a obter um grande volume de negócio, qualquer situação em que o mercado seja de pequena dimensão, independentemente do número de concorrentes, não suportará uma estratégia assente no volume de produção ou vendas. Qualquer mercado de grandes dimensões mas com grande número de concorrentes irá naturalmente influenciar as margens libertadas pelo negócio. Por outro lado, mesmo sendo a dimensão do mercado pequena e diminuto o número de concorrentes, possuindo a empresa uma quota de mercado relevante, a mesma poderá assentar a sua estratégia de forma a construir um negócio de melhores margens. Mercados de pequenas dimensões e com muitos concorrentes nunca poderão ser mercados de grandes margens. A compreensão da relação entre as duas matrizes poderá contribuir para a determinação do tipo de lucro que será expectável para o negócio.

No quarto artigo da série abordámos o tipo de produto em que a empresa poderá assentar a sua estratégia. Vimos que o tipo de produto depende dos factores "valor percebido pelo mercado" e "inovação e diferenciação do produto", conforme fig. 3. Um produto que seja percebido pelo mercado como de baixo valor dificilmente poderá dar grandes margens, independentemente do grau de inovação incorporada ou da diferenciação obtida. Neste caso, poderemos estar na presença de um produto de custo elevado em produção mas cuja inovação ou diferenciação não é devidamente percebida pelo consumidor e, consequentemente, não é valorizado na proporção certa.

Produtos bastante inovadores e diferenciados são, geralmente, percebidos como de elevado valor. Porém, existem produtos, que apesar de serem considerados de elevado valor, não são por isso muito diferentes dos demais ou muito inovadores. A raridade e ou a exclusividade são os principais factores que contribuem para que alguns produtos sejam incluídos nesse grupo. Estes são os mais rentáveis, pois deverão, em princípio, necessitar de menor investimento para a sua produção.

No quinto artigo desta série, analisámos a necessidade de investimento para o desenvolvimento do produto. Assim, temos que existem dois factores que podem ser determinantes: a necessidade de conhecimentos e de competências e a necessidade de tecnologia e de processos sofisticados, conforme fig. 4.

O esforço do investimento em cada um destes factores pode variar consideravelmente de produto para produto. Contudo, partindo da análise do posicionamento do produto na matriz dos arquétipos de produto, fig.3, poderemos concluir até que ponto o mesmo irá ser compensado. Produtos de baixo valor percebido pelo mercado não justificarão elevados investimentos, tanto em competências como em tecnologia. Produtos de alto valor percebido pelo mercado poderão justificar plenamente os investimentos necessários à sua continuidade, quer seja este em competências como em tecnologia, ou ambas, desde que o mesmo investimento contribua para a continuidade da percepção de elevado valor pelo mercado.

Finalmente, e ainda em correlação com a matriz dos arquétipos de produto, fig. 3, deve ser percebido a existência ou não de alinhamento consistente com a matriz do "valor", tema abordado no sexto artigo desta série. O valor de qualquer produto para o negócio está directamente dependente de dois factores: a utilização dada ao produto pelo utilizador e o preço do produto aceite pelo consumidor, conforme fig. 5.

Produtos cuja utilização pelo utilizador é vasta e em que este está disposto a pagar um preço mais elevado por eles, são ou podem ser suporte para produtos de elevado valor percebido e, consequentemente, de maiores margens. Produtos que, apesar da vasta utilização obtida, não são aceites como de preço elevado pelo utilizador, fazem ainda parte dos produtos considerados de maior valor percebido pelo mercado, e assim, sustentadores de negócios com margens de alguma forma razoáveis. Produtos que são de baixa utilidade, dificilmente poderão ser aceites como de preço elevado pelo utilizador. Casos existem em que tal paradoxo é verificável, como no caso de alguns seguros obrigatórios, mas em que o mesmo paradoxo está justificado pela obrigatoriedade. A esmagadora maioria de produtos de baixa utilização apenas são aceites pelos utilizadores a preços muito baixos, não podendo assim suportar qualquer estratégia de produto de elevado valor percebido pelo mercado. A rentabilidade destes produtos é consequentemente muito baixa, não justificando grandes investimentos nem grandes desenvolvimentos, coincidindo muitas vezes esta situação com a fase de declínio (desaparecimento) do produto.

O alinhamento estratégico entre as cinco matrizes é, como pôde ser demonstrado ao longo dos oito artigos até agora desta série, fundamental para o sucesso de qualquer negócio, seja ele pequeno ou grande. A utilização deste modelo não elimina a potencial utilização de outros modelos estratégicos que possibilitem a análise de outros factores potencialmente determinantes para qualquer negócio. Compete ao gestor estratégico munir-se de todas as ferramentas ao seu alcance para definir com o maior grau de exactidão possível qual o caminho certo a trilhar. Só empresas com estratégias bem definidas poderão sobreviver a longo prazo.
 

 
 

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