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Artigo

O Esforço de Investimento na Inovação como Factor de Lucro
Por: M. Teles Fernandes

No último artigo desta série identificámos que o produto é determinante para a obtenção das margens. Dependendo do esforço de investimento na inovação e/ou diferenciação e do valor percebido pelo mercado, o produto é susceptível de gerar uma maior ou menor margem. Vejamos então como pode a empresa influenciar e/ou contribuir para o primeiro dos factores mencionados: o esforço de investimento na inovação e/ou diferenciação do produto.

Para podermos inovar e/ou diferenciar, temos de possuir capacidade criativa e/ou capacidade tecnológica. O contrário é fazer aquilo que muitas economias se limitam a fazer: imitar ou reproduzir o que outros criaram.

A capacidade criativa e a capacidade tecnológica não surgem de forma espontânea ou fácil nas empresas. Para a primeira, é necessário ter o conhecimento e as competências necessárias e potenciadoras de um ambiente de criatividade. A criação de novas soluções para problemas existentes não surge de meros actos ou acções casuísticas, mas sim de processos de pesquisa e de experimentação complexos e longos que exigem profundos conhecimentos e competências em campos específicos. Assim, o investimento nos conhecimentos e competências internas é fundamental para criar as condições necessárias à criatividade e à inovação. A diferenciação refere-se à comunicação, publicidade, capacidade de inovação, marketing, vendas e serviços pós-venda, inteligência e conhecimentos, ou seja, a matéria soft dos recursos operacionais - as pessoas, o conhecimento e as competências desenvolvidas.

A inovação, ou o processo de diferenciação de um produto, pode ainda exigir que seja feita utilização de tecnologias de ponta, normalmente dispendiosas e difíceis de adquirir. A necessidade de investimento em modernas tecnologias, ao mais elevado nível do estado de arte, é muitas vezes determinante para a inovação dos produtos e dos próprios processos de pesquisa e desenvolvimento dos mesmos. A criação de valor para além da matéria soft necessita dos recursos hard para obter esse valor. A necessidade de tecnologia inclui a infra-estrutura industrial, a tecnologia aplicada, a capacidade de distribuição necessária e tecnologia para I&D.

Se tentarmos construir uma matriz à volta destes dois factores, teremos quatro arquétipos de necessidades de investimento ou de ambientes propícios à inovação pretendida, conforme figura 1.

O ambiente do tipo "gabinete" é propício ao desenvolvimento de novas ideias, conhecimentos e competências, onde pessoas com elevados conhecimentos em diversas especialidades contribuem para a criação de novas soluções que não careçam da criação de novas tecnologias. As soluções procuram-se dentro de um conjunto de métodos e tecnologias conhecidas, fazendo-se uso do que já existe, mas procurando-se criar soluções finais inovadoras e diferentes das existentes, desenvolvendo-se assim o conhecimento das capacidades e criando-se novas competências práticas. Destes ambientes saem novos produtos para as mesmas utilizações ou um mesmo produto adaptado a novas utilizações. A indústria da moda é exemplo deste arquétipo assim como os serviços de consultoria, advocacia e produtos de mass-market cuja produção seja simples, como, por exemplo indústria bancária, onde a tecnologia reside na gestão da informação.

Num ambiente do tipo "laboratório", a pesquisa de novas soluções para problemas existentes é uma constante. Não dependendo apenas dos conhecimentos e tecnologias existentes, tenta-se descobrir novos métodos e processos e novas tecnologias, com base na experimentação, para encontrar soluções inovadoras para um dado problema. A experimentação e o desenvolvimento são a base da criatividade, originado novos produtos para problemas existentes e/ou para novos problemas identificados pelo próprio processo criativo. A criação de novos conhecimentos, competências e novas tecnologias são resultado do trabalho. O desenvolvimento de tecnologias de ponta carece de elevados investimentos. Como exemplo deste arquétipo, pode identificar-se a indústria farmacêutica, a indústria das telecomunicações e as indústrias de mass-market de produção complexa que necessitam de muita tecnologia e sistemas de distribuição abrangentes, para além de competências técnicas e criativas (marketing) - indústria cervejeira, transportadoras aéreas, cinema e televisão, equipamentos audiovisuais.

Em ambientes do tipo "fábrica", a utilização das tecnologias são uma constante, procurando-se resolver problemas existentes através da utilização de tecnologias de ponta. O foco é muito maior nos processos e na capacidade de realização do produto do que na procura de outras soluções alternativas, fora do contexto, para os problemas existentes. Utiliza-se o conhecimento e as competências existentes para criar soluções tecnológicas novas que possam melhor solucionar um dado problema. A indústria de produtos de marca branca em geral tipifica este arquétipo. Outros exemplos incluem indústria petroquímica, papel, celuloses, automóvel, naval e aeronáutica.

O arquétipo "teatro" é caracterizado pela utilização de conhecimentos, competências e tecnologias existentes. O investimento neste arquétipo não pretende inovar na criação de novos métodos e processos ou em novos conceitos ou alteração dos paradigmas existentes. O que se pretende é aprender muito bem com quem faz melhor, de forma a evitar erros e a utilizar os melhores processos e técnicas. Os serviços simples integram este arquétipo, como, por exemplo, segurança, limpeza, notariado, distribuição e comércio.

Compreender o tipo de investimento que um negócio necessita é fundamental para o planeamento estratégico do mesmo. Os custos com recursos estão dependentes do tipo de investimento estratégico que se vier a necessitar. As margens dependem do investimento necessário para estruturar e manter o negócio.

 
 

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Samora Correia  -  Açores  -  Porto  -  Lisboa

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