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NORMA NP 4427 - SGRH
Por: M. Teles Fernandes

A satisfação e o desempenho dos recursos humanos em qualquer organização estão directamente relacionados entre si e com a forma como é feita a gestão dos mesmos. É claramente reconhecido por todos que pessoas pouco motivadas tem fracos desempenhos. Daí a atenção que a grande maioria das grandes organizações tem vindo  dar nas últimas décadas à motivação existente no seio das equipas de trabalho e à avaliação do desempenho como forma de criar motivação através das compensações. 

Posto desta forma, podemos inferir que bastará manter as pessoas motivadas para ter bons desempenhos e que possivelmente a gestão dos recursos humanos se poderá resumir na sua essência a isso mesmo. Esse será um erro de apreciação que poderá levar ao insucesso das organizações. A gestão dos recursos humanos é efectivamente algo de muito mais complexo que exige da parte dos gestores uma maior variedade de acções e decisões.

A necessidade de bem gerir os recursos humanos de qualquer organização levou a que surgisse na Inglaterra, através do ministério da educação do governo daquele país, um referencial que define as linhas mestras de uma boa gestão dos recursos humanos. O “Investors in People” estabelece, mais do que regras, um estilo comportamental e de gestão dos recursos humanos que conduz, como resultado, a uma maior participação e responsabilidade voluntária das pessoas na gestão da organização, o que, por sua vez, traz mais satisfação interna, mais produtividade e melhor desempenho por parte dos envolvidos, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma forte cultura na organização.

Esta necessidade de gerir de uma forma adequada as organizações, nomeadamente as empresas, é algo que é sentido pelos gestores de todo o mundo. Em Portugal, e como resultado dessa necessidade, foi criada pelo IPQ no primeiro semestre de 2001 uma comissão técnica (CT 152) que tinha como objectivo desenvolver uma norma que servisse de referencial à gestão dos recursos humanos. Essa norma foi desenhada para servir como guia às empresas na criação de processos e no estabelecimento de âmbitos de actuação que conduzam a uma gestão de recursos humanos adequada aos propósitos e objectivos das mesmas.

Esta é a primeira norma a nível internacional que aborda a gestão dos recursos humanos de uma forma holística, e que faz parte de um sistema nacional de normalização, sendo que o referencial inglês “Investors in People” atrás mencionado não está integrado no sistema de normalização da Inglaterra. A norma foi também desenhada de forma a integrar-se com as actuais normas de certificação ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001, formando assim um quadrado cujos vértices são a qualidade, o ambiente, a saúde e segurança ocupacional e agora os recursos humanos.

A nova norma que assumiu a designação de NP 4427 – Sistemas de Gestão de Recursos Humanos e já foi publicada pelo IPQ. O seu objectivo principal é o de estabelecer nas organizações um sistema de gestão de recursos humanos uniforme e abrangente a toda a organização, que possa vir a obter a certificação por uma entidade externa ou que sirva apenas para auto-avaliação da eficácia da gestão dos recursos humanos de qualquer organização.

A norma assenta todo o seu conceito naquele que deve ser o princípio base de uma boa gestão de recursos humanos: o atrair, manter e desenvolver as pessoas, dentro de qualquer organização. Efectivamente este princípio está presente ao longo de todo o articulado da norma, que contêm oito artigos, sendo os últimos quatro os que estabelecem os requisitos para a gestão dos recursos humanos.

Os requisitos genéricos são: responsabilidade da gestão, planeamento, gestão dos recursos humanos e medição, análise e melhoria. Esta estrutura permite uma fácil interligação com o sistema de gestão da qualidade que as empresas possam ter já implementado, facilitando assim o alargamento ao âmbito da nova norma de gestão de recursos humanos.

As principais áreas de acção (requisitos) da norma de recursos humanos são: planeamento dos recursos humanos; caracterização da estrutura organizacional; objectivos dos recursos humanos; compensações; sanções; recrutamento e selecção; admissão; acolhimento e integração; comportamentos; desenvolvimento pessoal; formação; qualificação de competências; carreiras; avaliação de desempenho; satisfação interna; e outros que são coincidentes com os das normas da qualidade como a responsabilidade da gestão, auditorias internas, melhoria, etc.

A norma de gestão de recursos humanos não deve ser vista como uma metodologia de gestão, mas sim como o enunciado de um conjunto de princípios que poderão ajudar as empresas, principalmente aquelas que não possuem elevadas competências na gestão de recursos humanos, para atrair, desenvolver e manter os melhores profissionais e com isso tornarem-se mais competitivas.

 
 

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Samora Correia  -  Açores  -  Porto  -  Lisboa

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