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Artigo A grande maioria dos gestores está profundamente preocupados com o que têm genuinamente de fazer para posicionar apropriadamente os seus negócios, de forma a serem bem sucedidos nos seus mercados, fazer melhor uso dos seus escassos recursos, e reduzir alguma da complexidade e imprevisibilidade que regularmente enfrentam. Para melhor entender o que acontece, identifiquei quatro diferentes, mas interactivos, ambientes de mercado: o reino, o campo de batalha, a selva e a fronteira. Cada ambiente tem a sua própria dinâmica, que cria uma estrutura organizativa própria com as suas próprias regras, requisitos, actores, e estilo de competição. Tal como a maioria dos produtos e serviços precisam de ser desenhados de acordo com os requisitos e desejos dos clientes, uma empresa bem sucedida necessita de ser desenhada à volta das necessidades do ambiente de mercado em que pretende competir. Não é apenas suficiente desenhar uma estratégia de marketing em redor do seu mercado; toda a sua própria organização deve ter uma estrutura, uma cultura, e um conjunto de sistemas internos que se ajustam ao seu ambiente de mercado. Naturalmente, as organizações diferem grandemente uma das outras, e será sempre assim no futuro. Mas mesmo assim, nas últimas duas décadas surgiram alguns tipos de organizações bem claros e definidos. Cada diferente tipo de organização está particularmente bem ajustado a um dos quatro tipos de ambiente de mercado. Identificando os quatro tipos organizacionais que alinham com os quatro ambientes de mercado, podemos compreender a complexidade do mercado actual. Existem quatro tipos organizacionais: pioneiras, caçadoras, guerreiras e soberanas. Cada arquétipo organizacional deve ser desenhado e gerido de acordo com as necessidades e requisitos específicas do tipo de ambiente de mercado que serve. Quando uma organização tem a estrutura organizacional apropriada para o seu ambiente de mercado, é criada uma sinergia que suporta profundamente e dá força à organização, aos seus gestores, e à sua força laboral. As prioridades mudam, as pessoas tornam-se mais comprometidas e envolvidas com a organização, e tudo faz mais sentido dentro da mesma. Qualquer estratégia organizacional eficaz deve começar por identificar o ambiente de mercado em que opera. Quando este está identificado, a liderança tem de tomar uma decisão chave: transformar a organização para que ela possa competir eficazmente naquele ambiente, ou fazer um, igualmente difícil, movimento de transição para um outro ambiente de mercado, para o qual a sua estrutura organizacional está vocacionada.
OS
QUATRO ARQUÉTIPOS DE MERCADOS
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| Ambiente de Mercado | Tipo de organização mais apropriada |
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Reino |
Soberana |
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Campo de Batalha |
Guerreira |
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Selva |
Caçadora |
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Fronteira |
Pioneira |
Os quatro tipos organizacionais aqui apresentados não são categorias estanques nas quais todos os negócios encaixam sempre perfeitamente. Enquanto muitas organizações são pioneiras, caçadoras ou soberanas clássicas, outras serão melhor descritas como híbridas entre dois tipos diferentes. Outras, ainda, encaixam de muitas formas num tipo organizacional, e possuem um bom número de elementos de um outro, ou mais, tipos. O que aqui se pretende não é pôr as empresas em caixas pré-fabricadas, e depois, providenciar soluções em pacote para aquelas que caem numa determinada caixa. De facto, o meu propósito é mesmo o oposto. Providenciar todos com um modelo que possa analisar as organizações e os seus ambientes de mercado. Os quatro arquétipos organizacionais – soberanas, guerreiras, caçadoras e pioneiras - podem ser comparadas e diferenciadas das mais variadas maneiras. Contudo, inicialmente elas podem ser identificadas por:
Como elas estão orientadas para a procura e forças externas; e
Qual a abertura que elas têm e como operam colectivamente.
Soberanas
De forma a dar resposta ao ambiente de mercado “reino”, as empresas “soberanas” necessitam de se concentrar na satisfação da procura do mercado, qualquer que seja o seu nível. É necessário o mínimo de informação externa do consumidor, excepto no que diz respeito aos objectivos da distribuição. É requerida muito pouca informação dos concorrentes, excepto quando existe tentativas sérias de penetração no mercado.
Em suma, uma empresa “soberana” pode funcionar bem com base somente nas ideias internas. A grande preocupação é, normalmente, encontrar formas de conviver com a procura do mercado. Como a procura é tão grande, a qualidade melhora vagarosamente, apenas quando os recursos e o tempo estão disponíveis. Muitos dos problemas tem uma solução simplesmente financeira – ex. contratar pessoas mais talentosas, adquirir concorrentes, etc.
Estas empresas devem ser organizadas de acordo com funções, de forma a satisfazer a procura, tão eficientemente e a custo efectivo, quanto possível. Em todos os níveis hierárquicos acima da gestão de linha, é esperado que as pessoas ajam mais ou menos independentemente, enquanto as equipas talvez possam ser usadas para actividades mais específicas com o desenvolvimento de novos produtos. Normalmente, existe pouca partilha de custos ou de responsabilidades e pouco desenvolvimento transversal, visto ser desnecessário (e, tipicamente, difíceis e caros). Qualquer inter-dependência, que exista, é iniciada e suportada pela mais alta gestão. Contudo, em tais organizações, é difícil e dispendioso conseguir muita inter-dependência transversal entre linhas funcionais.
Organizações “soberanas” são relativamente simples de gerir, e muito daquilo com que elas inter-agem é certo ou previsível – o que faz com que a maioria dos gestores prefira trabalhar nelas.
Exemplos: America Online, Microsoft, Snap-on Tools, Boeing.
Guerreiras
Para responder eficazmente a um ambiente de Mercado “campo de batalha”, as empresas “guerreiras” necessitam de se concentrar, primeiro, em aumentar a procura para os seus produtos ou serviços e, segundo, expandir e melhorar a sua distribuição. Como as margens tendem, continuamente, a diminuir, as empresas “guerreiras” necessitam de estar sempre vigilantes para identificar a abertura de novos mercados e para fazer novas incursões. Em parte, isto significa estar aberto a ideias vindas de fora da organização, acerca de como expandir o mercado. Frequentemente, significa copiar ideias e estratégias dos concorrentes.
As pessoas numa organização “guerreira”, normalmente, podem e devem operar independentemente. Há, contudo, uma excepção significante: projectos comerciais são, normalmente, enormes, com uma grande necessidade de coordenação sobre uma vasta distância geográfica. Só se consegue ser bem sucedido através de uma gestão muito forte, que consegue congregar as pessoas todas para atingirem uma estratégia comum. Tais acções concertadas requerem uma grande capacidade de planeamento e de organização.
Exemplos: Coca-Cola e Pepsi; Burger King e McDonald’s; Kmart,Target e Wal-Mart; Procter & Gambel, Bristl-Myers, Colgate-Palmolive e Cheeseborough-Ponds.
Caçadoras
Para dar resposta a um ambiente de mercado “selva”, as empresas “caçadoras” precisam de ser bem sucedidas em acções, tão contraditórias como aparentemente impossíveis, como satisfazer completamente as expectativas dos consumidores enquanto tem de reduzir constantemente as suas margens. Estar alerta aos movimentos dos concorrentes e ter a habilidade para se lhe opor é absolutamente crucial.
Empresas “caçadoras” normalmente necessitam de uma estrutura organizacional que foque a atenção de toda a gente da empresa no mercado. Esta estrutura deve também ser capaz de se adaptar internamente com muita rapidez. Na prática, isto, normalmente, requer uma cultura de alta inter-dependência, e o mesmo tipo de partilha de informação e de esforço que se encontra em organizações start-up. Existe a necessidade de, simultaneamente, enfatizar a constante melhoria da qualidade e a redução de custos internos.
Estas organizações devem ter mecanismos internos para monitorizar cuidadosa e correctamente e em tempo útil os movimentos do mercado. Esta informação deve ser disponibilizada rapidamente através de toda a organização.
Exemplos: fabricantes de telefones celulares (Qualconm, Nokia, Emerson etc.); fabricantes de “modems” (MultiTech, U.S.Robotics, Zoom, etc.).
Pioneiras
As organizações “pioneiras” devem-se concentrar em desenvolver novos produtos e encontrar formas de fazer com que eles sejam aceites pelo mercado de uma forma significativa. Esta é uma tarefa altamente imprevisível e complexa, especialmente quando envolve o desalojar de um produto concorrente. O processo necessita de ser conduzido por alguma função interna, normalmente a de investigação e desenvolvimento, e todo o sistema e cultura necessita de ser estruturado à volta daquela função.
As pessoas que trabalham para organizações “pioneiras” necessitam de ser altamente independentes, ainda que esta independência nem sempre necessite de ser instituída na estrutura da organização (ex. pode ser em função das operações do dia-a-dia.) As empresas “pioneiras” necessitam de estar muito abertas às informações sobre o produto e o mercado, independentemente de onde ela venha.
A cultura de uma organização “pioneira” deve compreender grupos interdependentes que operam facilmente juntos, e que sejam capazes de se reajustar a eles próprios de acordo com as mudanças do mercado. Isto deve acontecer a todos os níveis da organização. Quaisquer barreiras entre funções ou grupos devem ser vistos como desnecessárias, que impedem a informação de circular e a reacção da empresa à mesma.
Porque existe muito poucas probabilidades da gestão fazer planeamento num ambiente de mercado “fronteira”, a norma é a gestão da contingência. Necessitamos de confiar na capacidade de todos em interpretar as situações, para o bem ou para o mal. Isto significa que necessitamos de admitir pessoas de confiança, e que a confiança seja continuamente enaltecida e compensada.
Curiosamente, não é necessário criar uma estrutura organizacional formal para, especificamente, alimentar um esforço comum concertado. Isto parece acontecer naturalmente quando o enfoque está em novas ideias e em produtos e serviços inovadores.
Exemplos: Merck (produtos farmaceutícos); Dragon Systems (tecnologia de reconhecimento de voz); Philips (Televisão por cabo); Mattel (brinquedos).
Sistemas e Comportamentos
O padrão organizacional em cada um dos arquétipos é maioritariamente determinado por dois factores: a sua estrutura organizacional natural e apropriada, e a natureza das relações profissionais entre os líderes e os empregados.
Em organizações com sistemas
verticais – maioritariamente Soberanas, e algumas guerreiras e pioneiras – a
ênfase da organização é na eficiência e em responder à elevada procura do
mercado. Estes sistemas tendem a focar-se na própria organização – em entregas,
prazos, lucros, etc. – em vez de nos requisitos dos consumidores. Tais
organizações operam melhor quando têm canais de distribuição bem definidos e
produtos que são simples de distribuir e de perceber. As suas estruturas
verticais servem para manter a ordem e para direccionar os esforços dos
empregados para o desenvolvimento de objectivos internos e do lucro.
Em contraste, as organizações que usam sistemas horizontais – principalmente as caçadoras, e também algumas pioneiras e guerreiras – tentam criar ordem e eficácia para benefício do consumidor. Gestores que representam grupos de consumidores, normalmente, têm mais autoridade do que gestores de funções. A eficácia nestes sistemas é medida em termos da satisfação dos clientes bem como na agudeza dos concorrentes (ex. redução de custos).
Porque os mercados “selva” são tão competitivos, as organizações “caçadoras” normalmente necessitam de estruturas horizontais que estejam perto do consumidor. O planeamento está em função de cada situação particular. Frequentemente, a organização necessita de ser capaz de satisfazer o consumidor sem necessidade de percorrer a cadeia hierárquica, para cima ou para baixo. O foco está na rapidez, manter recursos escassos, e exercer o menor esforço possível de forma a conseguir atingir objectivos muito difíceis.
As organizações “pioneiras” também
funcionam, tipicamente, usando uma combinação de estrutura horizontal e
vertical. Elas permitem que os produtos e mercados evoluam, e com isso esperam
menos ordem e mais liberdade e redundância. Cientistas e engenheiros em
laboratórios também esperam isto da gestão. Como resultado, estas empresas
talvez empreguem uma gestão vertical que é responsável por atribuir recursos e
cri
ar
um ambiente que suporte a inovação. Ainda assim, dentro dos próprios grupos de
desenvolvimento, existe alguma forma de gestão horizontal. Tipicamente, esta
consiste em gestão de equipas, com líderes que suportam as actividades, tanto da
equipa como dos elementos individuais da mesma.
O tipo de comportamento profissional para suportar a actividade organizacional e concretizar a missão principal da empresa varia de arquétipo para arquétipo. Se a missão principal de uma organização é o fabrico e distribuição de um produto comum (commodity) (ex. discos de computadores ou sumo de fruta), rapidamente e a baixo custo, então a ordem e controlo interno é essencial. As relações em tal organização são (ou devem ser) baseadas no cumprimento e adesão ao plano geral de gestão da empresa. Tal estrutura e conjunto de comportamentos permitem às empresas cervejeiras movimentar milhões de garrafas à volta do mundo, rápida e eficientemente.
Isto não quer dizer que não exista espaço para o individualismo nestas organizações, mas sim que o balanço pende claramente para o lado dos planos e regras centrais e dos comportamentos repetidos em vastos territórios.
Em contraste, mercados “fronteira” exigem inovação e descoberta. Isto não tende a acontecer em organizações com planeamento centralizado. Assim, os comportamentos mais necessários em organizações “pioneiras” (e em algumas soberanas e caçadoras) são os que se caracterizam pela falta de procedimentos estandardizados e pela vontade em procurar e explora oportunidades.
Cultura e Valores
Cada arquétipo organizacional requer um tipo de cultura particular, que suporte a organização e que lhe dê a possibilidade de lutar (ou pelo menos de sobreviver e competir) no seu mercado. Esta cultura é constituída por quatro aspectos fundamentais:
o ambiente organizacional geral (e as relações profissionais que a caracterizam)
a estrutura da organização (e os atributos chave dessa organização)
o foco principal da liderança (e as ferramentas utilizadas para exercer a liderança)
os valores fundamentais (core) da organização.
A matriz seguinte apresenta os principais aspectos do ambiente, estrutura e liderança para cada um dos arquétipos organizacionais:
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Ambiente |
Estrutura |
Focos da Liderança |
|
Soberana |
Cumprimento |
Controlo |
Poder |
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Guerreira |
Agressividade |
Reforço |
Ordens |
|
Caçadora |
Realização |
Flexibilidade |
Estratégia |
|
Pioneira |
Desenvolvimento |
Adaptação |
Recursos |
Organizações “soberanas” necessitam de cumprimento – e burocracia para o garantir - de forma a que a estratégia possa ser desenvolvida facilmente a partir da gestão de topo. A organização deve ser constituída por níveis de directores, cujo principal interesse é dirigir as pessoas abaixo deles como especificado na estratégia. Os líderes devem usar o seu poder para motivar os directores e empregados a suportar a estratégia. Todos estes atributos suportam um comportamento dominador do mercado, esperado (e necessário) numa empresa “soberana”.
Tal comportamento, e estrutura burocrática que o suporta, têm obtido muito maus comentários nos últimos anos. Ainda assim, isto é exactamente o que permite a uma organização “soberana” sobreviver, lutar e dominar o seu mercado. Ainda que tal arranjo não resulte em muita satisfação no trabalho, a maioria das pessoas que trabalham para organizações “soberanas” esperam ter de lidar com estes atributos, e aprendem a trabalhar com eles o melhor que podem. Na verdade, pessoas que tolerem um controlo de gestão dominador e forte, talvez se sintam satisfeitas em trabalhar neste tipo de empresa.
Organizações “guerreiras” necessitam de actuar de uma forma unificada em grandes áreas geográficas. Espera-se que uma organização “guerreira” agirá muita agressivamente para capturar cada ponto de distribuição ou espaço de prateleira disponíveis. Para conseguir este objectivo, a sua estrutura necessita de ser desenhada com base numa direcção forte, com poucos ou nenhuns desvios, para que grandes estratégias sejam implementadas com precisão através da própria execução de ordens. Pessoas que sejam pessoalmente agressivas tendem a ficar satisfeitas em organizações “guerreiras”.
Organizações “caçadoras” vivem num ambiente de “o mais forte sobrevive”, onde cada conquista é uma importante contribuição para a sobrevivência da empresa. Os seus líderes devem cativar a concentração mental dos directores e empregados, permitindo-lhes que ajudem a criar (e a compreender completamente) a estratégia, para que tudo isto guie os comportamentos sem um controlo de gestão agressivo. Pessoas que tenham uma orientação para as relações pessoais e que gostem de tomar decisões e tomar acções, tendem a ser bem sucedidas neste ambiente.
Organizações “pioneiras” têm um apetite voraz para desenvolver produtos, serviços e mercados. A estrutura de uma organização “pioneira” precisa de ser muito flexível de forma a permitir rápidas mudanças e movimentos. Os seus líderes necessitam de se concentrar no desenvolvimento dos recursos para suportar a investigação. Estes recursos incluem, tipicamente, pessoas, dinheiro, equipamento, acesso a matérias-primas e informação. Pessoas que gostem de criatividade, inovação, desafios pessoais e ambientes intensos tendem a dar-se bem nestas organizações.
Os valores são um dos aspectos mais cruciais na vida organizacional. Claramente, os valores organizacionais que melhor suportam as actividades de uma empresa diferem substancialmente entre os diferentes arquétipos de organização. Estes valores, por sua vez, criam alguns atributos organizacionais comuns às organizações dentro de um mesmo arquétipo.
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