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Artigo

A Estratégia para a Sustentação do Negócio
Por: M. Teles Fernandes

Na continuação dos artigos anteriores, chegámos à altura em que teremos de definir uma estratégia de actuação futura para o produto ou produtos em estudo.

Após a análise dos factores mais importantes que condicionam o desenvolvimento do negócio das empresas, é necessário enquadrar o tipo de estratégia que melhor servirá cada produto em particular. As empresas devem aplicar um determinado tipo de estratégia, ao nível do planeamento, desenvolvimento, implementação e execução, dependente do tipo de produto que possuem ou do mercado em que estão inseridos. Mas, acima de tudo, qualquer estratégia futura depende sempre do ponto de partida onde nos encontramos, pelo que a nossa actual penetração no mercado deve ser considerada como factor determinante para a estratégia que se venha a definir.

É fundamental reflectir sobre o posicionamento do produto ao nível do mercado e compará-lo com o posicionamento estratégico para a empresa, face à sua quota de mercado e ao lucro (rentabilidade) que o produto retorna ou poderá retornar à empresa.

Com base nesta ideia, podemos criar uma matriz que define o tipo de estratégia a ser desenvolvida para os diferentes produtos, com base no potencial futuro lucro e na actual penetração no mercado, criando-se assim 4 diferentes tipos de estratégias possíveis, conforme fig. 1.

No arquétipo "controlar", as empresas possuem produtos que apresenta uma quota de mercado relativamente baixa, e cujo lucro potencial é baixo, pelo que devem ou aplicar uma estratégia de racionalização e controlo de recursos, ou deixar o negócio - gerir a crise, largar o negócio, ou inovar. Neste arquétipo encontram-se quase todos os produtos da grande maioria das empresas, cujo ciclo de vida se encontra no nível da maturação ou declínio. Para esses casos é necessário que se reforcem os métodos de controlo de gestão, controlo de recursos e optimização dos processos. É fundamental gerar cash-flow para sustentar os custos de exploração da empresa na produção do produto ou realização do serviço. A estrutura organizacional deve ser enxuta, racionalizada sem perder a sua flexibilidade. As empresas podem também libertar-se do negócio ou produto de baixa rentabilidade com baixa quota de mercado se não possuírem capacidade de inovação, disruptiva ou sustentadora, para esses produtos. Entende-se por inovação sustentadora as medidas fundamentais, que por mais pequenas que sejam, consigam levantar um produto ou negócio para outro quadrante mais estável e/ou rentável; por disruptiva entende-se aquela que quebra os actuais paradigmas que sustentam o produto no mercado, principalmente o preço, o nível de funcionalidade e o custo de produção, criando-se uma nova alternativa ao mercado que possibilita que muitos potenciais consumidores que nunca usaram o produto (por ser muito caro) o possam agora fazer e a outros que, comprando o produto ou produtos existentes que o mercado oferece, prefiram a nova alternativa, mesmo abdicando de funcionalidades e desempenho, com base num preço muito mais baixo. Assim pode-se inovar o produto com a introdução de novos atributos ou benefícios (funcionalidades intrínsecas e extrínsecas) para os consumidores, alterar o posicionamento do produto, gerar capacidades competitivas alternativas às existentes e focar nas forças motrizes do negócio. A inovação disruptiva pode levar um novo produto para o arquétipo "desenvolver", mantendo inicialmente a mesma quota de mercado mas gerando muito mais lucro. A tentativa de passagem para o quadrante "explorar" implica grande aumento de quota de mercado que exige um esforço de penetração do mercado muito mais elevado. Implica confrontação directa com a concorrência, iniciando uma guerra de preços, com uma força de vendas muito combativa, aliada a uma estrutura de distribuição e um marketing que tem de ser muito eficaz.

No arquétipo "desenvolver", as empresas possuem produtos que apresenta uma quota de mercado relativamente baixa mas com um lucro potencialmente elevado, devendo seguir uma estratégia de desenvolvimento desses produtos/mercados. O desenvolvimento do mercado pressupõe, entre outras actividades, o prolongamento da estrutura do mercado, a re-segmentação e posicionamento do produto, a proliferação da rede de distribuição adequada ou a criação de canais de distribuição complementares, o ajustamento da força de vendas, comunicação e preparação dos clientes para utilização do produto e a criação de novas necessidades no mercado. O produto gera cash-flow suficiente para ser sustentável mas necessita de financiamento suficiente para o desenvolvimento do mercado, com a correspondente penetração e ganho de quota. Se o lucro é elevado, normalmente deve-se a um baixo nível de concorrência, podendo existir espaço para crescer. A estratégia de desenvolvimento de produto/mercado pressupõe um forte empenho em acções de marketing de divulgação do produto, comunicando os seus atributos, benefícios e factores de diferenciação. É necessário estruturar o mercado e promover o consumo do produto. É fundamental perceber a força motriz adequada ao produto, as vantagens competitivas que o mesmo apresenta e aproveitar todo o movimento de crescimento que se possa gerar. A preocupação com os custos não deve limitar o desenvolvimento do produto/mercado. A organização deve ser enxuta (q.b.) mas bastante flexível, orientada para o mercado e dotada de equipas multidisciplinares com forte componente criativa e capacidade de inovação.

No arquétipo "alavancar", as empresas possuem produtos que apresenta uma quota de mercado alta com um lucro potencialmente elevado, pelo que devem seguir uma estratégia de alavancagem. A alavancagem pressupõe aproveitar as vantagens competitivas do produto para articular sinergias com outros produtos da empresa ao nível da distribuição, comunicação, marca, processos organizacionais, recursos financeiros e tecnológicos e conhecimento. Este tipo de posicionamento estratégico do produto apresenta posição instável e recebe ameaças constantes de produtos concorrentes e/ou produtos substitutos. É fundamental defender a posição destes produtos. Os esforços de marketing, distribuição, recursos financeiros e competências técnicas devem ser canalizados para a defesa e sustentação dos produtos, gerando inovação constante, desenvolvendo o relacionamento com os clientes de forma continuada, investindo nos activos exclusivos e nas competências próprias, modelando as forças condutoras do negócio e impondo as regras de jogar no mercado, sempre com extrema atenção nas mudanças do mesmo. O foco da empresa deverá ser na inovação, especialmente a inovação sustentadora, mantendo o produto sempre na frente dos concorrentes, o relacionamento com o cliente e a criação de sinergias que alavanquem os outros produtos da empresa. O controlo de custos não deve limitar o desenvolvimento do produto (inovação) nem o desenvolvimento de mercados (marketing). O financiamento deve ser realizado pela inovação sustentadora e contínua. Os produtos do arquétipo alavancar requerem estruturas mais complexas com dedicação exclusiva sobre cada um no âmbito da inovação, gestão da marca e defesa do mercado.

Finalmente, no arquétipo "explorar", as empresas possuem produtos que apresentam uma quota de mercado alta mas com um lucro baixo, devendo seguir uma estratégia de exploração. Todos os produtos maduros que foram ou são líderes de mercado apresentam-se neste quadrante. O lucro potencial é mais baixo porque existe muita concorrência que coloca pressão sobre as margens, ou porque o consumidor não valoriza o produto, face à enorme oferta de produtos alternativos ou substitutos. A posição de domínio no mercado induz ainda a empresa a facilmente impor as regras de mercado e definir as forças motrizes. Contudo, esta posição é muito instável. As empresas que têm produtos neste quadrante devem explorar esta posição, mantendo o produto a gerar fluxos de receitas com base na fidelização dos clientes. As empresas devem focar-se no marketing dos produtos e no relacionamento com os seus clientes de forma a manter a posição dominante e evitar deslizar para as estratégias do quadrante "Controlar". Face à quota de mercado elevada, o fluxo de dinheiro gerado é normalmente encaminhado para financiar o desenvolvimento de novos produtos e/ou mercados, preferencialmente através da inovação disruptiva. Os produtos maduros exigem um relacionamento constante com os clientes através de marketing (comunicacional e promocional) e força de vendas, pelo que as estruturas organizacionais baseiam-se na força de vendas e de marketing, onde as empresas terão de ter fortes competências.

Determinar o tipo de estratégia a seguir em função do potencial lucro e da actual penetração do produto no mercado é fundamental para criar uma clara visão para a acção futura necessária. Como podemos analisar anteriormente neste artigo, a inovação desempenha um papel muito importante nas possíveis estratégias a desenvolver. Para isso é necessário que os gestores tenham uma visão e compreensão muito claras daquilo que é a inovação e onde a mesma pode ser aplicada. Muita inovação falha porque é mal direccionada ou aplicada na altura e na área erradas.

 

 
 

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Samora Correia  -  Açores  -  Porto  -  Lisboa

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