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Casos de Estudo Carlos Faria é o sócio-gerente da Faria & Bento, cuja actividade teve início a 1 de Abril de 1982, na área da produção de faianças utilitárias. Certificada pelas
normas ISO 9001 (qualidade) e 14001 (ambiente), esta empresa exporta cerca
de 96% da sua produção para mercados como França, Inglaterra, Estados
Unidos, Canadá, etc. Qualidade e Ambiente são para Carlos Faria processos
nada fáceis, mas em tudo compensadores. O que o levou a procurar a certificação? Foi precisamente para responder às exigências de alguns clientes que nós temos no mercado externo. Pensamos que hoje essas exigências são poucas, mas amanhã serão cada vez mais. Começámo-nos a preparar precisamente para lhes dar respostas positivas.
No processo da certificação de qualidade e ambiente, eu penso que a mais valia já identificada foi a alteração às mentalidades de todos os colaboradores desta empresa. Dos próprios funcionários... Dos próprios funcionários. Alterar a própria maneira de ser das pessoas que estão nesta actividade já há alguns anos e levá-las a fazer modificações é muito complicado e, felizmente... não quer dizer que se tivesse conseguido na sua totalidade, mas deram-se passos muito importantes para que essas transformações acontecessem e continuem a acontecer.
No início não foi fácil. As pessoas pensavam que era um trabalho que se ia fazer, mas um trabalho inglório, que não fazia sentido. Mas, a pouco e pouco, e com a formação intensa que foi dada, começaram-se a aperceber que alguma coisa estava a mudar e gradualmente conseguiram-se alcançar uma boa parte dos objectivos. Hoje, a empresa Faria & Bento não tem nada a ver com a empresa de há 2 anos atrás. Desde a maneira de verem o produto que estão a fazer todos os dias... a maneira como olham para ele, a maneira como passam a analisar quem vai procurar o produto, como é que o há-de encontrar, qual é a qualidade que deve ter. Porque eles têm que ter consciência de que o que estão a fazer não é para eles comprarem, mas é para outras pessoas comprarem e se o produto sair daqui de maneira a que os próprios trabalhadores não o comprem, é um insucesso total. Agora, se o produto sair daqui em que cada um diga: "se eu visse esta peça até a comprava, está bonita", então, o produto tem aceitação, o produto movimenta-se. Esta mentalidade hoje já existe na Faria & Bento.
O ambiente, como deveria ser conhecido de todas as empresas através da legislação que saiu... o ambiente é de todos e deve ser tratado. Nós sempre nos preocupámos com o ambiente. Na área da cerâmica, se calhar fomos das poucas empresas que começou a tratar muito a sério do ambiente, ou seja, do tratamento de todos os resíduos, muito antes de pensarmos na certificação. Os resíduos eram seleccionados e encaminhados para os sítios onde pudessem ser reaproveitados. Tudo isso já existia, depois foi o aperfeiçoar. As regras do jogo foram traçadas e estão a ser rigorosamente cumpridas. Tanto no interior, como no exterior da fábrica.
Sentimos algumas. Não foram muitas porque nós já éramos muito exigentes com os nossos fornecedores. Passámos foi a ter condições de controlar mais profundamente todas as matérias primas que entram na F & B, através do nosso laboratório. Temos um laboratório bastante bem apetrechado e temos as condições de fazer um controlo sério. E aí os nossos fornecedores que sabem que este controlo é feito, têm uma certa preocupação em nos servir correctamente. Não temos grandes problemas com os nossos fornecedores. Em relação às matérias primas, nós preparávamos cá a pasta e até deixámos de a preparar. Compramos a uma empresa que também é certificada. Se detectamos qualquer pormenor, imediatamente estamos em contacto com o nosso fornecedor e ultrapassa-se. As coisas estão no caminho certo.
Isso é um objectivo da empresa. Reduzir custos, ou seja, reduzir falhas gradualmente. Alcançámos o ano passado este objectivo e esperamos vir a alcançá-lo este ano também com as reduções. Se produzirmos menos resíduos estamos, com certeza, a melhorar e a ter ganhos de produtividade. Esse objectivo, penso, está no caminho correcto.
Houve alturas do processo em que cheguei a desanimar e a pensar que talvez fosse melhor acabar. Nos primeiros 6 meses foram feitas milhares de fotocópias para os projectos de qualidade e ambiente. Chegou a uma altura em que isto era uma confusão total. Mas, felizmente que tivemos o discernimento suficiente para olhar em frente e continuar. Não foi fácil. Penso que a certificação ambiental é muito mais complicada e mais difícil do que a própria certificação de qualidade. As auditorias foram extremamente difíceis, os auditores foram muito exigentes. Posso-lhe dizer que também aprendemos muito com eles. O seu grau de profissionalismo trouxe-nos grandes ensinamentos. Porque as coisas não são fáceis, ficámos mesmo mentalizados para a parte mais difícil e que as coisas têm mesmo que funcionar. Isto não é no papel, mas é na prática. Na prática tem mesmo que funcionar e funciona. Não quer dizer que tenhamos isto a funcionar a 100%. Todos os dias andamos à procura de eliminar coisas que surgem. Todos os dias estamos a procurar fazer melhor e tem que ser este o caminho. Não é pensar "estou certificado, está tudo feito". Todos os dias temos que ir eliminando essas deficiências. Não vale a pena pensarmos que vamos atingir o óptimo porque isso é inimigo do bom. É um processo inacabado... Eu acho que sim. Nunca mais tem fim.
Não tenho nada a apontar. O que achávamos que não estava correcto, chamávamos a atenção. Houve sempre uma abertura total entre a F & B e as pessoas da GT que aqui estiveram a trabalhar. Penso que até se criou uma certa amizade entre as pessoas. De todos e, sem desprimor para ninguém, tenho que distinguir o engenheiro Capote porque foi fora de série... e a engenheira Lídia. Penso que passaram por aqui pessoas muito dedicadas e conhecedoras. Penso que se cometeram erros e, se começássemos hoje, com certeza que continuávamos a cometer erros.
Temos um sistema de higiene e segurança no trabalho, temos um posto médico e um médico de clínica geral. Penso que somos uma empresa pequena, mas que tem uma certa organização.
O conhecimento que já existia com o próprio arquitecto Teles Fernandes. Começámos a falar da certificação. A GT estava em condições de poder desenvolver esse projecto.
Eu penso que sim.
Eu penso que foi todo um caminhar interligado: os consultores da GT, os funcionários da F&B, o empenhamento extraordinário da funcionária Helena Bento foi fundamental no processo. O entendimento da Lena Bento com os engenheiros da GT, com todo o desenvolvimento que era preciso fazer-se no dia-a-dia, a carga burocrática que tudo isto trazia e houve sempre uma resposta da parte da Helena Bento e, felizmente, conseguimos. Ela hoje pode olhar para a certificação da qualidade e do ambiente de cabeça bem levantada e enfrentar tudo aquilo que vier. |
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Samora Correia - Açores - Porto - Lisboa |
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