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Casos de Estudo A PREBESAN, empresa de pré-fabricados de betão, é uma das clientes, agora certificadas, da Gestão Total. A empresa sediada em Almoster, Santarém, produz condutas de água de grande dimensão e é a fornecedora dos empreendimentos do Alqueva, Vale da Vila e Catapereiro. É ainda a única empresa do país a produzir condutas pré-esforçadas de betão. O BI esteve à conversa com Massano André, sócio-gerente da PREBESAN, e quis saber quais as vantagens e as alterações sentidas após a certificação.
Coloco-as a dois níveis: a nível interno que nos obrigou a uma reorganização interna. A uma organização, quer dos processos produtivos, quer do próprio controlo de Gestão. E isso teve vantagens que eu posso mesmo dizer foram ao nível de custos e até do próprio controlo de gestão. Por outro lado, ao nível externo, a credibilidade da empresa ao nível da qualidade perante os nossos clientes também se fez sentir. A partir do momento em que os clientes souberam que éramos uma empresa certificada, deixamos de sentir a sua vontade de fazer mais ensaios, inspecções, de terem uma incidência tão grande de acompanhamento da nossa produção e isso, liberta tempo e recursos para que as coisas continuem melhor.
A nossa certificação ainda é muito recente. Certificámos em Setembro e ainda é cedo para haver já um feedback importante. As nossas respostas não são tão rápidas. Posso-lhe dizer que quando uma obra está projectada com produtos nossos e o próprio projecto pode demorar 2 anos. O que significa que os grandes efeitos da certificação se vão sentir, sobretudo no futuro, a médio e longo prazo.
Tenho contactos personalizados com alguns dos maiores projectistas nacionais do ramos da hidráulica. O dono da obra, que geralmente é o Instituto da água, o Intituto de Engenharia Hidráulica Rural e Ambiente, a EPAL, as grandes Câmaras (de Lisboa e Porto) e a EDIA de Alqueva, quando lança um concurso de projectistas para realizar um determinado projecto, normalmente encarregam-se de lhes dar instruções de qual o material com que querem que se faça o projecto, ou dão liberdade ao projectista para que seja ele próprio a escolher o material com que vai fazer esse projecto hidráulico. Daí que seja muito importante esse lobbie da Prebesan com os próprios projectistas, para que sejam influenciados pelo binómio qualidade/preço. Para nós também é muito importante a relação com os empreiteiros. Cumprir prazos, entregar-lhes tubagens que tenham muita qualidade, que não hajam problemas quando vão fazer os ensaios. É preciso que, nesta altura, a tubagem esteja fiável, que suporte as pressões de ensaio e não haja dissabores. E nós comprometemo-nos, inclusivamente, quando há problemas nas condutas, a dar-lhes apoio para fazer reparações e resolver o problema.
Por várias razões. Uma delas é porque este é um produto que, por servir para abastecimento de água à população, a própria norma impõe que as fábricas que produzem estes materiais sejam certificadas. Por outro lado eu sempre fui um Homem da Qualidade. Sempre estive ligado às questões da qualidade, nomeadamente pela minha formação de base. E, ainda, por ver vantagens na certificação, quer internas, quer externas.
Nós sentimos dificuldades, embora a ajuda que a Gestão Total nos deu tivesse sido preciosa. O nosso fabrico é um processo complexo. Acredito que hajam outras fábricas em que a certificação não tenha a complexidade que teve aqui, mas o nosso processo de fabrico tens muitos passos, tem muitos pormenores, foi preciso passar a escrito grande parte daquilo que são os conhecimentos empíricos das pessoas. Ter que passar tudo isso a escrito, o próprio sistema de controlo de qualidade, com boas e más vontades como há em todo o lado (há aqueles que julgam que é um desperdício certificar e esses têm que ser empurrados para o sistema), foi o mais problemático. Foi moroso, cerca de um ano e meio. Mesmo assim, conheço casos que demoraram mais tempo. Evidentemente que a experiência da Gestão Total valeu de muito, nós também tínhamos algumas coisas escritas das nossas congéneres francesas, o que também ajudou um pouco nalgumas situações. Depois, ao nível da implantação em campo, nós fomo-lo fazendo gradualmente, suavemente e aí não tivémos, nem grandes resistências, nem grandes dificuldades.
Diria que 90% aderiu com facilidade. Houve algumas resistências a quem foi preciso impor que aderissem. Ou seja, quando eram preciso que dessem o seu contributo ao elaborarem um documento, atrasavam-se, não o faziam com empenho e foi preciso impor algumas regras.
Sobretudo ao nível dos conhecimentos e do empenho. Eu sou apologista de que deve haver formação periódica e que cubra o universo dos trabalhadores de uma empresa para os motivar. Por duas razões: a qualidade do trabalho melhora e, sobretudo, a sua formação. É muito diferente dizer a um trabalhador que tem que fazer isto porque tem que o fazer, do que saber por que razão tem que o fazer, porque ele próprio vai tentar ao longo do tempo melhorar o que faz. Acho que é muito útil para a qualidade e para o próprio trabalhador. Os ganhos desta coisa que é a certificação vêm da redução dos desperdícios. Aumentando a qualidade e gerando menos perdas (quer em tempo, quer em produto), conseguem-se vantagens que podem ser, não só para a empresa propriamente dita, mas para os próprios trabalhadores. Com certeza, uma empresa saudável onde recebam a horas no final do mês, onde tenham gosto por estar e se orgulhem tem vantagens para toda a gente. A Prebesan, juntamente com a Cabena e a Sitac foram as primeiras clientes da GT a implementar um projecto de análise pelo valor...
Após a certificação fizemos um projecto de Análise pelo Valor. Inclusivamente, foi um projecto piloto. A verdade é que fiquei convencido. Não conhecia a Análise do Valor, embora tivéssemos tido, até na própria Gestão Total, alguma formação. Esse pequeno teste para fazermos Análise do Valor sobre um dos sectores resultou em economia, em melhoria de eficiência daquele sector. E nós temos tantos sectores e possibilidades de melhoria que é natural que o venhamos a aplicar mais vezes. Sobre a questão da Qualidade Total , é capaz de ainda não ser para o imediato, mas para daqui a algum tempo.
A HST é um dos sectores que neste momento a empresa está a implementar com a ajuda de uma empresa do ramo. Não está fora de hipótese, no futuro, ter o vosso apoio nesse aspecto. Posso-lhe dizer que já elaborámos um manual de Higiene,Saúde e Segurança no Trabalho, que está em análise e, esta fábrica comporta muitos riscos por serem máquinas muito pesadas. Os nossos produtos precisam ser movimentados com equipamentos muito pesados. É preciso subir, muitas vezes, a moldes que estão escorregadios. Há aqui algum risco no trabalho. E, inclusivamente, já aqui tivemos acidentes mortais, no passado. É uma situação que acredito que o Estado terá que ser cada vez mais rigoroso para evitar acidentes e eu quero aprofundá-lo. Não está fora de hipótese que venha a utilizar os serviços da Gestão Total. Outros serviços... dos que conheço, e há pouco recebi um documento vosso, saltaram-me à vista alguns deles. Ou seja, a Prebesan é natural que implemente relações com a Gestão Total, não só como o fez na certificação ou poderá fazer na Higiene e Segurança no Trabalho, mas em outros campos. Estamos a precisar desenvolver, por exemplo, Marketing. Não temos operações de Marketing estruturadas.
Os pontos positivos foram o empenho, os conhecimentos e foi até uma certa sintonia com a própria empresa. Senti que houve alguma vontade de se aproximarem da Prebesan, talvez por terem visto na empresa, ou nas pessoas que a dirigiam, alguma qualidade que lhes merecesse uma certa atenção. Pontos negativos, não tenho nada a apontar.
Sim, sim. Até porque foi rápido. Quando comecei a certificação pensei que ia demorar de 2 a 3 anos e a verdade é que a fizemos em menos tempo. Se tudo tivesse dependido da Gestão Total e se não tivesse havido necessidade do meu próprio empenho, que sou muito ocupado e, na altura ainda mais, possivelmente até teríamos feito num espaço mais curto. |
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Samora Correia - Açores - Porto - Lisboa |
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